por Alice
Fui ao supermercado este fim-de-semana fazer algumas comprinhas. Sempre levo minha lista para não esquecer do que realmente é necessário, e para me lembrar de não levar “muita coisa’além do que anotei antes de sair de casa. Ritual comum para mim. Creio que não tão comum para a senhorinha que procurava ler os preços e algumas marcas no corredor dos enlatados. Ela se aproximou meio sem-graça de mim e gentilmente me perguntou se eu poderia ajuda-la. Ela não sabia ler. Logo pensei: “Quanto mais ter uma lista de compras?”
Fui ao supermercado este fim-de-semana fazer algumas comprinhas. Sempre levo minha lista para não esquecer do que realmente é necessário, e para me lembrar de não levar “muita coisa’além do que anotei antes de sair de casa. Ritual comum para mim. Creio que não tão comum para a senhorinha que procurava ler os preços e algumas marcas no corredor dos enlatados. Ela se aproximou meio sem-graça de mim e gentilmente me perguntou se eu poderia ajuda-la. Ela não sabia ler. Logo pensei: “Quanto mais ter uma lista de compras?”
Cenário comum em uma metrópole como São Paulo. Outras cenas poderiam ser exemplificadas, no ponto de ônibus quando as pessoas não sabem ler as placas. Ironicamente, embora após alguns anos na escola eu consiga de maneira razoável escrever um texto, também preciso pedir às pessoas do ponto de ônibus que leiam as placas para mim, mas porque geralmente não enxergo os letreiros destes ônibus de São Paulo e nem do Grande ABC, onde resido. Tive a oportunidade de ir ao Canadá alguns anos atrás fazer intercâmbio na belíssima e praiana cidade de Vancouver, e lá definitivamente é o paraíso dos que tem deficiência visual parecida com a minha, pois os letreiros são enormes, enxergava-os de longe!!! Em terras canadenses, me senti incluída no grupo dos “que conseguem ler os letreiros do ônibus”....Mas voltando à nossa querida terra...
Saindo com minhas compras, voltando para casa aquele dia, fiquei a me perguntar então a cerca da inclusão digital; tema este que escrevo neste blog, objeto de trabalho do curso de Licenciatura em Educação Musical em uma modalidade à distância em que sou aluna.
A primeira coisa que me veio em mente foi: como posso falar de inclusão digital se ainda tem tanta gente que não consegue sequer ler a embalagem de um extrato de tomate? Paradoxal, não?
A segunda coisa que me veio em mente então foi: E se tem tanta gente assim analfabeta na cidade onde moro que não domina a linguagem escrita, como eu poderia ajudá-las? Falo de mim, primeira pessoa do singular, pois acredito não seja necessário discorrer aqui de quem é, ou ao menos, deveria ser a responsabilidade de dar a educação à população. E não é que eu queira (e nem poderia, jamais!!) assumir tal responsabilidade, mas digo no sentido de simplesmente “poder fazer algo” àquele que não teve sequer o direito de receber educação daquele que era obrigado a lhe dar.
Uma sensação de querer fazer algo sempre brota em meu coração ao presenciar/vivenciar cenas como o da senhorinha do supermercado. Confesso que nada fiz de concreto até hoje para sair da minha zona de conforto. Em minha mente, ficam a dançar alguns projetos sociais a fim de usar a música como um “meio de” e não simplesmente um “fim”. “Um meio de” levar avanços nas tão precárias condições sociais que tantos e tantos vivem na cidade onde moro, por exemplo. Como disse, são pensamentos que vêm e vão, mas garanto que ultimamente eles têm vindo mais para perto de mim do que têm ido longe. Será isso um passo significante para que eu finalmente saia da minha zona de conforto?
Chegando em casa, e após guardar as compras, entendi então que antes de falar sobre inclusão digital, é necessário falar primeiro a cerca de inclusão social. A inclusão digital acontece quando o indivíduo recebe do governo em um suposto mundo ideal, os recursos tecnológicos necessários para se conectar à rede mundial, a Internet, que saiba como manusear o computador, e por fim, que elas se usufruam das tecnologias para avanços em suas condições sociais.
“Se estas pessoas não sabem ler ou escrever e mesmo que saibam, não conseguem organizar pensamentos em textos coerentes e nem conseguem entender o que lêem; inexoravelmente, é impossível se pensar em Inclusão, seja qual for a sua natureza, sem pensar em algo que precede tudo isso: Educação. Assim sendo, falar de inclusão digital sem englobar o conceito em algo muito maior é fazer um recorte que desconsidera todo o resto. Ou mesmo considerar que tudo o que engloba o cidadão está funcionando perfeitamente. E não adianta vender computadores a preços acessíveis ou investir em telecentros ou mesmo equipar a escola com ótimas máquinas, se isto tudo não for parte de um projeto muito maior que necessariamente está ligada à Educação e à Inclusão Social.” MONTANARO, Paulo Roberto & OLIVEIRA, Alberto Geraissate Paranhos de. - A História da Internet e a Inclusão Digital - Universidade Federal de São Carlos UAB, 2011.
Oi Alice,
ResponderExcluirGostei do seu texto!
Abração!
Humberto
Oi, meu querido, obrigada por ter visitado meu blog!!! Bjo!!!!
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